A Natureza das Aquarelas Uma experiência de Arteterapia no Solar Baraúnas Por Diário da Julie

Ontem, fui ao Solar Baraúnas para fazer aquilo que tanto amo: fotografar, observar e contar histórias através das imagens. Mas, dessa vez, percebi que eu não estava apenas registrando um evento. De alguma forma, aquela experiência também estava me atravessando.
O encontro, realizado na casa da nossa amiga Carla Belém, tinha como tema “A Natureza das Aquarelas”, dentro de uma proposta de Arteterapia. E talvez não exista lugar mais bonito para falar de natureza do que aquele cenário cercado de árvores, luz, flores e tantos detalhes que parecem pedir para serem fotografados.
Enquanto eu caminhava com a câmera, fui percebendo que a aquarela tinha uma relação muito bonita com tudo aquilo que estava ao meu redor.
As cores não precisavam ser perfeitas. As formas não precisavam seguir regras. Uma pincelada encontrava outra, a água espalhava a tinta, as flores viravam inspiração e cada papel ganhava uma identidade própria.
E foi aí que comecei a pensar: talvez a vida também seja um pouco assim.
A gente nem sempre consegue controlar o caminho que a cor vai fazer. Às vezes, ela se espalha para um lugar que não planejamos. Às vezes, uma mistura inesperada acaba ficando ainda mais bonita do que aquilo que imaginávamos.
Fotografar aquela experiência me fez olhar para a arte de uma maneira diferente.
Eu estava acostumada a procurar o melhor enquadramento, a luz mais bonita, o detalhe perfeito. Mas naquele momento, percebi que algumas das imagens mais bonitas estavam justamente nas coisas imperfeitas: nas manchas de tinta, nas flores espalhadas, nas mãos criando, nos papéis diferentes uns dos outros.
Porque a Arteterapia também fala sobre isso: expressar, experimentar, sentir e permitir-se criar.
E talvez seja esse o encanto da aquarela. Ela nos lembra que não precisamos ter controle sobre tudo para criar algo bonito.
Entre câmeras, pincéis, flores e muitas cores, saí do Solar Baraúnas levando mais do que fotografias.
Levei uma reflexão.
Às vezes, precisamos apenas diminuir o ritmo, observar a natureza e permitir que a vida pinte a sua própria aquarela.
E ontem, enquanto eu fotografava, talvez eu também estivesse, sem perceber, pintando uma pequena aquarela dentro de mim.
Diário da Julie — onde cada experiência vira uma história.






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